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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Análise da Semana

APRENDER, ANALISANDO O JOGO...

“(…) na minha perspectiva a chave do jogo voltou a estar na direita do ataque do Porto, mas com uma nuance estratégica que baralhou completamente o duplo pivot do Benfica: estando em posse de bola, principalmente quando esta estava do lado esquerdo do ataque do FC Porto, Belushi saía do raio de acção do duplo pivot do Benfica, abrindo na direita. Hulk deslocou-se nestes momentos para dentro, procurando arrastar consigo David Luiz. Como Coentrão estava “fixado” em Sapunaru, criou-se um espaço que Belushi e Hulk aproveitaram com grande eficácia. Atente-se que os golos do Porto nascem todos daí e em nenhum está Sapunaru envolvido!”

O parágrafo anterior foi retirado na minha análise ao jogo Porto 5 Benfica 0 para a Liga Portuguesa, http://www.coachcarvalhal.com/site/pt/artigos/f-c-porto-vs-s-l-benfica-chaves-do-jogo. Pois bem, na minha óptica o Benfica começa a ganhar este jogo ao resolver o problema acima referido - 1ª chave do jogo!

E como o fez? Mudando ligeiramente o seu sistema táctico! Manteve uma linha defensiva de 4; jogou com dois jogadores no centro do meio campo lado a lado, Javi mais à direita de “olho” em Moutinho e César Peixoto na esquerda, a pressionar e acompanhar todas as movimentações de Belluschi; Saviola posicionado sobre Fernando, constantemente preparado para pressionar o defesa central que Cardozo não pressionava; Gaitan na esquerda e Sálvio na direita a exercer uma forte pressão inicial sobre Sereno e Sapunaru, respectivamente.

No outro jogo (para o campeonato), fiquei com a sensação que o Porto jogou com o orgulho ferido, por ter perdido o campeonato anterior, impondo elevadas intensidade e agressividade. Nos primeiros minutos deste jogo tive a mesma sensação mas relativa aos jogadores do Benfica, e penso que conseguiram surpreender o Porto na forma pressionante e agressiva como abordaram o jogo.

A segunda chave do jogo foi o facto de o Benfica entrar a pressionar de forma intensa e bem “alto”. O Porto é uma equipa que habitualmente gosta de ter a posse da bola, e aquando da sua circulação, esta passa muito pelos defesas centrais e por Fernando. Numa primeira fase de construção do Porto, a equipa do Benfica pressionou bastante, o que intranquilizou a manutenção da posse da bola e “construção de jogo” inicial. Cardozo foi sempre um elemento muito activo, escolhendo o momento de pressão sobre um dos centrais, enquanto Saviola “guardava” Fernando. No momento do passe do central que Cardozo pressionava para o outro defesa central, Saviola saía do raio de acção de Fernando para impôr uma forte pressão no outro central. Como as linhas de passe para os laterais se encontravam nestes instantes bloqueadas (pela acção de Gaitan e Salvio), o jogo de posse do Porto perdeu “orientação” e intenção.

A segunda parte ficou marcada pela expulsão de Coentrão aos 60m. O Benfica reorganizou-se defensivamente: César Peixoto posicionou-se como defesa lateral esquerdo, Saviola (substituído pouco depois por Aimar) ficou mais perto de Javi; Salvio e Gaitan mantiveram-se nos corredores, e claro, Cardozo manteve-se como avançado na frente.

O Porto, que tinha substituído James por Rodriguez ao intervalo (passando Varela para a esquerda, Rodrigues para a direita e Hulk na frente), substituiu Belluschi por Guarin, e apesar de manter uma alternância posicional constante, ficou algum tempo com: Hulk na direita, Varela na esquerda, Rodrigues e Guarin na frente de ataque, com Fernando e Moutinho numa linha mais recuada do meio campo.

Dava a ideia de que faltava ao Porto gente na frente e que quando atacava existia “demasiado equilíbrio” para preparar a transição defensiva. Nesta fase do jogo o Porto raramente chegou com perigo à baliza de Júlio César! Verificou-se alguma precipitação na posse e consequentemente na dinâmica de jogo. Pela pouca presença dos seus defesas laterais no ataque (principalmente Sereno na esquerda), o jogo pedia desequilíbrios vindos de trás, já que os avançados não conseguiam fazê-lo, uma vez que o Benfica garantiu sempre um 2x1 defensivo sobre as unidades mais criativas do Porto.

Retirado de artigo de opinião de Carlos Carvalhal  publicado no sítio http://www.coachcarvalhal.com, no dia 3-2-2011.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Opinião da semana

Naval: a estreia de Mozer

Na passada semana, falava aqui da necessidade da Naval reforçar o meio-campo (na intensidade e/ou ocupação dos espaços) para poder crescer como equipa. Era difícil fazê-lo mudando a estrutura global (4x3x3) do onze. Consciente, Mozer mudou a estrutura do…sector. Inverteu o triângulo e passou a jogar só com um pivot-defensivo (Curto). Como não tem médio-ofensivo, ocupou a segunda linha do triângulo com dois médios mais subidos (Godemeche-Haw). Mais do que para criar, eles estavam lá para pressionar mais alto. Ou seja, a equipa subiu a sua linha de pressão.

Antes, esses mesmos dois médios jogavam como duplo-pivot defensivo quase encostados à defesa. Em Guimarães, sucedeu o contrário e a mesma dupla surgiu mais subida. Desta forma, ocupou melhor os espaços do meio-campo em pressão e ligação com o ataque. Depois, bastava Bolivia ser estruturalmente mais lento que Fábio Júnior e Marinho para ficar entre os médios no lançar do contra-ataque. Em suma: definir bem as zonas de pressão é a base das equipas pequenas sobreviverem na maioria do tempo.

Artigo de opinião de Luís freitas Lobo publicado no sítio Planeta do Futebol

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A competição na Formação

Qual é o papel da competição no crescimento dos jogadores?


A competição é fundamental para o crescimento dos jogadores e equipas. Em virtude disso, tem que existir competição o máximo de tempo possível para que possa ir muito para além do tempo dos jogos da competição “formal”. Tem que existir no treino! A competição é algo que está inerente aos jogos de oposição e que motiva os seus praticantes e treinadores na arte de desenvolvimento das capacidades de jogo. Assim, para se tornar mais apto para competir, nada melhor do que competir!

No entanto, a competição é muito importante não só pela motivação em superar as dificuldades, em atingir um objectivo (o do jogo) mas também pela necessidade de haver resposta na prática, na feitura do contexto. No treino e nos processos existe uma lógica (mais ou menos presente e mais ou menos acentuada) que resulta de quem modela o processo (treinadores e jogadores) e que faz com que haja uma lógica de problemas que se acentuam com o decorrer do tempo. Existe uma identificação mais forte e presente com a continuidade dos intervenientes. Assim o é em todos os processos (espontâneos, construídos ou modelados). Logo, quando se compete contra outras equipas, encontramos problemas diferentes dos que praticamos. Esta variabilidade e desafio aguçam o apetite aos melhores. Daí que a emotividade seja mais presente nos jogadores e equipas, acompanhado na maioria das vezes pela assistência que se manifestam no decorrer do jogo. Tudo isto torna a competição diferente que permitem vivências e aquisições dos jogadores/equipas diferentes e muito importantes para o sucesso desportivo dos mesmos.

Para além destas particularidades existe uma outra que não é menos importante: o poder de intervenção do treinador. Na competição, o treinador encontra-se muito mais «limitado» na sua intervenção sobre o que acontece, que se restringe aos tempos antes dos jogos, ao intervalo e no final. No decorrer do jogo não pode parar a situação, muitas das situações não pode controlar e também ele se encontra nas circunstâncias que envolvem o jogo como o público, o árbitro e adversário, tal qual acontece com a sua equipa. A sua intervenção acontece com feedback durante o jogo mas sobretudo com as substituições que faz. Daí que a sua capacidade para modelar o contexto seja muito mais reduzida do que no treino. Deste modo, os jogadores e equipa têm que ser “autónomos” para jogar. A grande virtude da competição passa por isso porque revela mais espontaneamente aquilo que é o processo (considerando as características do adversário).

Retirado de artigo de opinião da Prof.ª Marisa Gomes (Coordenatora Técnica do FC Foz), publicado no sítio zerozero

sábado, 25 de dezembro de 2010

Análise da semana

"Trinco"ou Pivot defensivo! Um olhar por dentro do campo...Como é que as características de um jogador na mesma posição no campo revelam a ideia de jogo do treinador?

 
Fiz quase toda a minha carreira futebolística como defesa central! Esporadicamente joguei como defesa direito e fiz metade de uma época como “trinco”.

Pelo facto de experimentar esta posição tenho uma ideia muito clara sobre as dificuldades que sente um defesa central a desempenhar essa função! Sente-se cómodo no processo defensivo. Tal como na sua posição de base, está na maioria do tempo de frente para o jogo, podendo assim ter uma visão global, que lhe permite estabelecer com facilidade relação defensiva com os seus colegas do meio campo e ataque. O seu habitat é também no corredor central, percebendo por isso a importância que a ocupação deste espaço tem, para que não surjam adversários neste local, especialmente com bola controlada e de frente para os defesas centrais (não pode abandonar este espaço sem ter quem faça essa compensação espacial)

No processo ofensivo, posiciona-se à frente dos defesas centrais e numa linha mais baixa relativamente aos outros médios. Por não ter hábitos relativos ao desempenho desta função táctica (posição), tem dificuldades em fazer recepções da bola orientadas para a baliza adversária e como tem também constrangimentos na recepção com adversários nas suas costas, a tendência é jogar muito perto da linha defensiva para que receba a bola sem qualquer tipo de pressão e de frente para o jogo. Procura jogar simples, a um ou dois toques, entregando a construção do jogo aos outros médios, ou escolhe a linha de passe mais fácil, para os defesas laterais ou centrais. No fundo está mais preocupado com o momento da perda da bola e com os equilíbrios do que com a construção do jogo.

Esta última ideia marca toda a diferença! O pivot defensivo pode-se caracterizar por ser um construtor de jogo! Para além disso, deve ser um jogador que se quer bem posicionado defensivamente, solidário e que faça os devidos equilíbrios e compensações espaciais.

Tenho a noção exacta que este tipo de escolha tem muito a ver com os jogadores que temos à nossa disposição e com os equilíbrios que pretendemos para a nossa equipa, mas também com a ideia de concepção de jogo do treinador. No entanto, interessa reflectir sobre a evolução do futebol, e esta é uma posição central numa determinada forma de ver e “sentir”o jogo! Há uns anos a presença de um “trinco” era vista como imprescindível, penso que esta escolha esteve sempre relacionada com a visão “física” do jogo! Alguém forte fisicamente que acima de tudo destruísse o jogo adversário e que assegurasse as compensações defensivas. No fundo mais um defesa, só que a jogar no meio campo.

Numa perspectiva mais evoluída de jogo vemos este jogador em equipas que são muito ofensivas, nas quais os seus defesas laterais são importantíssimos na dinâmica ofensiva, assumindo assim ( o "trinco") um papel de “equilibrador” do jogo. Numa perspectiva mais redutora, em equipas de menor nível, vemos este jogador como mais um para procurar destruir o jogo adversário, ou seja um “destruidor” de jogo.

Vão perceber porque comecei este artigo por expor as minhas dificuldades ao passar de defesa central para trinco! É que temos assistido a um fenómeno, na minha opinião evolutivo, de “transformação ” das características dos jogadores desta posição! É que na falta de jogadores com características de base para esta função, começam os médios de transição a desempenhar esta posição de pivot defensivo. Evidentemente que nem todos os médios de transição o podem fazer, até porque exige um conjunto de características específicas: sentido posicional, visão de jogo, solidariedade, facilidade de fazer recepções orientadas, capacidade de mudança de centro de jogo com passe curto e longo, entre outras.

Lembra-se das dificuldades sentidas pelo “trinco”? O pivot defensivo resolve-as com facilidade! Não se encosta à linha defensiva na construção porque está habituado a fazer recepções orientadas e a conviver com a pressão de adversários por perto! Desmarca-se para poder receber a bola ou larga o espaço para que outro colega a possa receber nesse local! Se tem espaço faz condução em segurança em direcção à baliza contrária para atrair adversários e assim abrir linhas de passe! Pelo hábito, joga mais para a frente, procurando linhas de passe nos extremos e avançados, para que os seus parceiros do meio campo possam receber a bola de frente vinda daquele, etc.

No fundo estamos a falar de dinâmica posicional, que é tanto maior, quanto melhores a capacidade e as características do jogador que ocupa esta posição. Pedro Mendes é um jogador que se enquadra naquilo que referimos atrás. Foi muito tempo médio de transição, neste momento é para mim, talvez o melhor pivot defensivo português. No último jogo da selecção Portuguesa muitos levantaram a questão: Pepe (trinco) ou Raul Meireles (pivot defensivo)? Nunca tive grandes duvidas na escolha de Paulo Bento para estes jogos, é que Paulo Bento foi… um verdadeiro pivot defensivo!

Por isso afirmo, diz-me com quem jogas a 6, digo-te como pensas o futebol…


Retirado de artigo publicado no sítio "coachcarvalhal.com", da autoria de Carlos Carvalhal.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

ANÁLISE DA SEMANA

E se o jogo tivesse duas bolas?

O mundo divide-se em cinco continentes e sete mares. O futebol tem uma divisão mais simples. Existem as equipas ditas normais, que jogam melhor ou pior, algumas jogam até muito bem e ganham muitos jogos, outras menos, mas com bons jogadores. E existe o Barcelona, vindo de uma galáxia distante com quem ninguém consegue estabelecer contacto. Rouba a bola durante a maior parte dos 90 minutos e faz dela o que quer. Fá-la girar de chuteira para chuteira (domínio do passe) e coloca-a no momento exacto nos sítios certos (domínio do jogo). Tudo isto é mais importante porque em campo, no jogo, só existe mesmo uma bola. Quando esta divisão futebolística se torna clara nos pés de Xavi, Iniesta, Villa, Messi (isto é, a corte dos “baixinhos loucos”) percebemos melhor o que significa a palavra “eternidade”.
 
Mas, por entre todo este cenário, continua a existir uma espécie de “duende insubmisso”. Mesmo quando subjugado por ele, não esbracejou, sacudiu a poeira do sobretudo, e foi-se embora, em silêncio, recordando que voltará mais tarde. Não duvido disso. Como também não duvido que, quando voltar, surgirá a jogar de forma diferente, com um antídoto táctico poderoso que, como já provou no passado, é capaz de meter, pura e simplesmente, qualquer jogo no “congelado”. É o legado de Mourinho. O seu Real não irá roubar o lugar na história ao “Barça tique-taque” de Guardiola, mas pode roubar-lhe o título. Como, recordou, lhe roubou a época passada a Champions, em pleno Nou Camp, sem precisar de ter a bola para isso.

É outra divisão (ou ameaça), terrena e conjuntural, que o futebol moderno provoca. As equipas já não acreditam em ideologias. Jogam conforme as suas circunstâncias e as exigências competitivas que as envolvem. Esta opção pode causar ilusões de óptica.
(...)
Porque, num clube, nada existe (com duração no tempo) sem sustentação ideológica.
 
Mourinho é, nesse sentido, mais um treinador de equipa do que de clube. É um “vencedor beduíno”. Chega, revoluciona, ganha e vai embora. Já repararam bem como ficam todas as equipas (jogadores e balneário) na época seguinte depois de Mourinho partir?

Este Barcelona vale muito mais do que os resultados que consegue. Vale, sobretudo, pela ideologia de jogo que transporta. Só equipas que atingem este nível (falar-se mais de como jogam do que dos resultados) consegue que daqui a 10, 20, 30 anos, continuemos a falar delas como referências (embora inatingíveis) a seguir. Um marco histórico da evolução futebolística. Por isso, este Barça é, ao mesmo tempo, exemplo e excepção.

P.S. Sobre o primeiro parágrafo: há quem acredite que se o jogo se disputasse com duas bolas, as duas também seriam do Barcelona.
 
Retirado de crónica de Luís Freitas Lobo, publicada no sítio Planeta do Futebol

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ANÁLISE DA SEMANA

Saída e construção

O FC Porto faz saída curta pelos centrais, abrindo-os em largura, baixando o pivot para o meio deles e projectando os laterais. O chamado campo grande é feito a partir da linha defensiva. Nota-se na forma confortável como os jogadores têm a bola mesmo sem serem tecnicamente fabulosos. O meio-campo não entra nisso (campo grande na saída de bola) por definição. Quando a bola entra nos médios (Moutinho, Fernando ou Guarín) em posição de primeira linha (isto é, em espaços recuados) sai em construção curta. Desde a pré-época criou estes automatismos. É cultura táctica colectiva.

É uma forma de jogar (ou melhor, de começar a jogar) que ameaça logo a partir da construção curta. Mesmo em 4x3x3 não é uma equipa que (ao contrário do que ditaria mais naturalmente o sistema) tenha a obsessão por pressionar alto, mas antes por pressionar no momento certo, quando a equipa adversária sobe alguns metros no terreno, e, então, essa pressão surge quando ela menos espera. São mecanismos de saída e construção que, depois, também têm mecanismos de…defesa.

Retirado de artigo de opinião de Luís Freitas Lobo publicado no sítio "Planeta do Futebol".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ANÁLISE DA SEMANA

"Os criadores e os "imitadores"

No futebol, como na vida, é mais interessante ser um criador do que um imitador. A mecanização, por si própria, tende quase eliminar responsabilidades. No limite, o jogador robotiza-se para fazer o programado. Perde aquilo que, dentro dos princípios de jogo regentes da dinâmica da equipa, é a margem de liberdade para a execução dos mesmos. Isto é, esses princípios (movimentação de referência que o jogador leva para o campo) nunca podem matar a versão criativa de qualquer jogador.
As nossas equipas (grandes ou pequenas) estão cheias de imitadores. Alguns, diga-se, são bons imitadores. Os criadores, esses, são mais raros. E podem vir dos locais mais estranhos. Ou, vendo bem, talvez não, porque esses chamados graus de liberdade são conquistados pelos jogadores que, quando são criativos por definição, vivem essa vocação dentro de uma lógica comum."

(...) Jogador de muitas ideias, Coentrão tem conseguido, no entanto, ser o melhor extremo…do Benfica mesmo sem sair da posição de lateral. Para isso, utiliza os tais graus de liberdade que os princípios de jogo lhe dão. Defende e ataca. Em nenhuma posição (dinâmica) é um imitador.

No Sporting, João Pereira subiu mesmo posicionalmente nos últimos jogos de lateral para extremo (ou ala do 4x4x2). O seu caso, porém, no colectivo da equipa, é diferente do de Coentrão. Porque atrás dele, continua a existir um lateral, Abel, com o mesmo tipo de linguagem de movimentação, muito ofensivo. Mas João Pereira não joga com o tal grau de liberdade que a boa execução dos princípios lhe pode dar. Ele próprio tem, neste momento, diferentes princípios para executar no jogo. A equipa necessitava, de facto, das suas características naquela posição. Assume, assim, um papel de (bom) imitador. A lógica comum de construção fica, mais uma vez, confundida.


O melhor futebol é o que merece mais liberdade. O fundamental é o compromisso entre sectores. Em todas as equipas há jogadores mais importantes do que outros, mas o que o treinador tem de evitar, é que eles se tornem imprescindíveis. Como criadores ou como imitadores."

Retirado de crónica de Luís Freitas Lobo publicada, em 30/10/2010, no sítio PlanetadoFutebol.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Análise da Semana

A equipa é «10+1» ou «1+10»? (A propósito de Ibrahimovic)

Para ele, Guardiola não era um treinador, era um filósofo. Ibrahimovic, um craque por definição, tornou-se, nas últimas épocas, um problema por natureza. A diferença pode ser explicada por uma fórmula matemática. Estranho? Nem por isso. É que em muitos destes casos, quando existe no grupo um jogador de valor indiscutível mas problemático (na táctica e no carácter), penso muitas vezes que a solução está em perceber se a equipa é «10+1» ou «1+10». Ou seja, qual é o seu princípio de construção. Se o treinador continuar a deixar ser o «1» (o tal craque problemático) o princípio da equipa, todo o seu processo de construção (jogo e perfil) está invertido.

Ibrahimovic é o tipo de jogador que gosta de se sobrepor à equipa ao ponto dela ser «1+10». Cabe ao treinador inverter a fórmula. Porque os maiores craques percebem a lógica dessa sua existência mais luminosa dentro da equipa, o tal «10+1». Permanece a individualidade que se destaca, mas sem nunca sufocar a equipa (grupo e jogo). O Milan com Ibra será «10+1» ou «1+10»?
 
Retirado de artigo de opinião de Luís Freitas Lobo publicado, em 16/09/2009,  no sítio "Planeta do Futebol"  

sábado, 16 de outubro de 2010

FRASE DA SEMANA

"À frente dos princípios

Não é a posição que faz um jogador, mas o jogador que faz a posição. Ou seja, cada um interpreta-a de acordo com as suas características técnicas individuais e fundamentos de jogo. Antes, a ideia do treinador e o que a partir dessa posição quer oferecer ao jogo. Nesse sentido, muitas vezes são os jogadores que, por si só, fazem evoluir (ou travar) as dinâmicas do sistema. A troca de posição entre dois jogadores na mesma posição e estrutura é algo natural, mas os jogadores têm de perceber esse sistema.

O mesmo lugar possui várias faces. Assim, trocar Pepe por Raul Meireles (como já sucedera com Pedro Mendes) traduz-se em mudar o conceito da posição. Neste caso, antes de perceber o que o treinador quer em temos estratégicos, são os jogadores que se adiantam à execução (treino e jogo) dos princípios. Num clube, essa evolução pode ser feita com o mesmo jogador. Numa selecção (sem tempo para treinar hábitos de jogo próprios) essa transformação na forma de jogar só acontece quando as características dos jogadores se adiantam a esse processo."
 
Retirado de artigo de opinião denominado "Notas 2010/11 (Selecção A)" publicado por Luís Freitas Lobo, no sítio Planeta do Futebol

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

FRASE DA SEMANA

“A forma não é física. A forma é muito mais do que isso. O físico é o menos importante na abrangência da forma desportiva. Sem organização e talento na exploração de um modelo de jogo, as deficiências são explícitas, mas pouco têm a ver com a forma física.”

José Mourinho

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

FRASE DA SEMANA

“O tipo de treino que realizamos visa identificar os jogadores com a forma de jogar preconizada pelo treinador. Cada exercício tem um objetivo definido, que deve ser assimilado por todos. Isso significa jogar e implica gerir o esforço deles, de forma a que a adaptação seja feita no sentido que pretendemos.” 

“Obviamente que as experiências e a cultura tática dos jogadores permite acelerar ou não a progressividade com que as nossas ideias são introduzidas. Por outro lado, a média de idades permite-nos um maior ou menor tempo de atividade na exacerbação dos princípios de jogo.”

Declarações de Rui Faria, a propósito dos 10 anos de carreira de José Mourinho, retirado de artigo do Jornal "Record".

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FRASE DA SEMANA

O jogador invisível...

"2- Instruções para ver Moutinho

Vejo o Rio Ave vs FC Porto e fixo olhar em Moutinho. Num meio-campo «3», parte entre Fernando e Beluschi. O jogo começa, ataque-defesa-ataque-transições e ele surge em todos os momentos. Ao ponto de a equipa ganhar a bola e ele arrancar logo. Sobe e chega à frente ao mesmo tempo ou antes de Belluschi (que já lá estava) surgindo em apoio e passe. A equipa perde a bola e ele imediatamente recua.

Quando a bola chega junto da área do FC Porto, já lá está, perto de Fernando, ou, se o jogo o obrigar, travando antes, a cobrir onde a bola vai entrar. Noutras vezes, vendo como Fernando avança, ele fica e faz a cobertura, mantendo o equilíbrio táctico. Um jogo completo, motorizado. Leio depois que esteve discreto e só se destacou num remate. Fico intrigado. Gostava, claro, de o ver fazer mais coisas. Organizar com a bola. Mas Moutinho não é esse jogador egocêntrico. É o protótipo da solidariedade táctica em campo.

No próximo jogo, pois, levem este manual de instruções para seguir Moutinho. Depois, voltem a fazer a análise ao seu jogo. É só uma sugestão."

Retirado de artigo publicado no sítio Planeta do Futebol denominado Notas 2010/11 (4) de Luís Freitas Lobo.  

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Frase da Semana: O ensino do futebol

"Em síntese, gostaríamos de reafirmar um conjunto de orientações para o ensino do Futebol:

• O ensino do Futebol é o ensino do jogo e, como tal, a componente táctica ocupa uma posição nuclear no quadro das exigências da modalidade. Os demais factores (técnicos, físicos ou psíquicos), devem ser abordados de forma a poderem cooperar para facultarem o acesso a níveis tácticos cada vez mais elevados.

• Deve assim cultivar-se no praticante de Futebol, e desde os primeiros momentos, uma atitude táctica permanente. Quando na posse da bola, o jogador necessita de utilizar a visão para as funções superiores de leitura do jogo (jogar de cabeça levantada).

• O desenvolvimento da capacidade de controlo da bola exige a criação de condições de exercitação que passam pela necessidade do praticante efectuar contactos frequentes e diversificados com a bola, para que se verifique uma melhoria do nível de execução.

• O desenvolvimento da extensão do campo perceptivo é um dos aspectos mais importantes na formação do jogador. Este deve saber jogar nos espaços próprio, próximo e afastado. Se o número de jogadores a referenciar num jogo fôr elevado e se a isso adicionarmos um terreno de jogo com grandes dimensões, a percepção das linhas de força do jogo torna-se mais complexa, dificultando o acesso a níveis de jogo superiores.

• Ao nível do processo ofensivo, no caso dos principiantes, se as situações de ensino e treino do Futebol não propiciarem a criação de várias ocasiões de finalização, o jogador perde de vista o objectivo central do jogo (o golo) e fixa a sua actuação quase exclusivamente ao nível do jogo de transição, o que conduz a um uso e abuso do jogo indirecto em detrimento do jogo directo.

• Ao nível do processo defensivo, sugerimos que nas fases iniciais da prática do Futebol, se utilize a defesa individual nominal. Nesta situação, cada jogador tem única e exclusivamente a responsabilidade de marcar o seu adversário directo. Quando o jogador já domina os princípios da marcação individual, somos apologistas da passagem para uma defesa do tipo individual não nominal (ou de transição individualzonal). Esta situação é já mais complexa e requer que o defensor saiba regular a sua marcação tendo como referência não apenas o seu oponente directo mas também a posição da bola, dos colegas e dos outros adversários. Dentro deste tipo de defesa surgem as situações e noções de cobertura, dobra e compensação, tão importantes para o desenvolvimento do pensamento e atitude táctica do praticante.

A situação de jogo 3x3 revela-se como a estrutura mínima que garante a essência do jogo, na medida em que reúne o portador da bola e dois recebedores potenciais, permitindo passar duma escolha binária a uma escolha múltipla, preservando assim a noção importante de jogo sem bola. Do ponto de vista defensivo, reúne um defensor directo ao portador da bola (1° def.) para realizar a contenção e dois defensores (2° e 3°) relativamente mais afastados do portador da bola, para concretizarem eventuais coberturas, dobras e compensações, respeitando os restantes princípios defensivos:

cobertura, equilíbrio e concentração.

• As posições por nós sustentadas conduzem à ideia de que, no ensino do Futebol, deve propôr-se ao principiante um jogo acessível, isto é, com regras ajustadas, com número de jogadores e espaço adequados, de modo a permitir a continuidade das acções, o domínio perceptivo do espaço, uma frequente participação dos jogadores e variadas possibilidades de finalização."
Retirado de artigo científico "Competências no ensino e treino de jovens futebolistas" elaborado pelo Prof. Júlio Garganta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FRASE DA SEMANA

“Quem só teoriza, não sabe. Quem só pratica, repete. O saber nasce da conjugação da teoria e da prática.”



 Manuel Sérgio.

domingo, 4 de julho de 2010

FRASE DA SEMANA

"Há uma realidade indesmentível que este campeonato do mundo tem vindo a acentuar: as individualidades, por mais valor que tenham, não conseguem ganhar jogos sozinhos.
(...)
..., sendo evidente que o sucesso só se consegue em colectivo. Essa é, aliás, a matriz genética de selecções como Holanda, Alemanha e Espanha..., capazes de jogar em bloco e capazes de fazer da organização colectiva um alicerce determinante para o sucesso."

Retirado de artigo de opinião de Domingos Paciência, publicado no Jornal o JOGO de 2010/07/04. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FRASE DA SEMANA

"Se a equipa não vai até à bola, a bola vai ter com ela. Depois, cada uma trata-a como entende. E, nesse momento, distingue-se logo as melhores equipas (as que jogam futebol)."

Luís Freitas Lobo
Frase retirada de artigo de opinião de LFL, denominado "O software táctico" publicado no sítio planetadofutebol em 22/06/2010.

terça-feira, 1 de junho de 2010

FRASE DA SEMANA

"(...)
Um candidato a vencer o Mundial terá que ter mãos competentes a defender a sua baliza. Pode apresentar um temível ponta de lança, pode desenhar o melhor processo ofensivo, pode inclusive ser arrebatador e espectacular quando em posse de bola. Mas se os dez jogadores que participam nesses momentos não atribuírem crédto infinito a quem veste cores distintas e calça luvas, dificilmente explanam as suas funções com à vontade.  
(...)
Gosto de guarda-redes. Adorei ser guarda-redes. Craque é quem marca e não quem defende; o avançado que falha de baliza aberta não dá "frangos"... Como vêem, o guarda-redes está ali, sozinho, a tomar conta de 10 e atento ao que fazem os 11 do lado de lá. É ingrato? Tremendamente. Mágico, todavia."

Vitor Baía em artigo de opinião publicado no JN de 30/05/2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

FRASE DA SEMANA

"Nosso medo mais profundo, não é de que sejamos inadequados. Nosso medo mais profundo, é que sejamos poderosos demais. É a nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta. Nós nos perguntamos. "Quem sou eu para ser brilhante, alegre, talentoso e fabuloso?" Na verdade, quem és tu para não o ser? És um filho de Deus. Fazer menos do que podes, não serve para o mundo. Não há luminoso no facto de te encolheres para que outras pessoas se sintam inseguras contigo. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus que está dentro de nós. Ela está não só em alguns de nós, está em todos nós. E a medida que deixamos nossa própria luz brilhar, nós, inconscientemente damos permissão aos outros para fazerem o mesmo. À medida que nós nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta outros."


Nelson Mandela

terça-feira, 18 de maio de 2010

FRASE DA SEMANA

A propósito de intuição...

"...quem está habituado a pensar não costuma ser dócil, mas acaba por se tornar apto tacticamente. E quando o jogo pedir algo extraordinário saberá responder a mando da intuição, sem olhar para o banco de olhos vazios à espera que o treinador lhe empreste um pedaço de cérebro."

Jorge Valdano

terça-feira, 11 de maio de 2010

FRASE DA SEMANA

Jogadores/pessoas inteligentes com elevada capacidade de auto-análise...

"O denominador comum nas equipas de sucesso é que os jogadores são inteligentes. Isso não significa, necessariamente, que sejam educados. Podem analisar um problema e encontrar uma solução. O denominador comum numa pessoa de alto nível de rendimento é que pode avaliar objectivamente o seu desempenho. Se falar com um jogador depois de um jogo e lhe pedir para avaliar seu desempenho, se ele analisar bem, você sabe que ele é o tipo de jogador que vai a conduzir para casa e a pensar "eu fiz isto errado, fiz aquilo bem". A sua avaliação será correcta e, da próxima vez, ele corrigirá. Este jogador tem uma oportunidade. Aquele jogador que tem um jogo de altos e baixos e diz que acha que foi fantástico, é o jogador com quem temos que nos preocupar. E isto é verdade muito para lá do futebol."
Arsène Wenger